Nos últimos anos, o ambiente empresarial brasileiro tem enfrentado desafios relevantes — e os números mais recentes confirmam essa tendência. Um levantamento da Serasa Experian apontou que 2025 registrou o maior volume de empresas em recuperação judicial da série histórica, evidenciando um cenário de pressão financeira crescente sobre os negócios.
Mas o que esses dados realmente significam? E por que tantas empresas estão recorrendo a esse mecanismo? Vamos entender de forma clara.
📈 Recorde de empresas em recuperação judicial
Em 2025, 2.466 empresas buscaram a recuperação judicial, um número que chama atenção não apenas pelo volume, mas também pelo contexto econômico em que está inserido.
Vale destacar que existe uma diferença importante entre:
- Quantidade de processos: foram 977 ações judiciais, com aumento de 5,5% em relação ao ano anterior;
- Número de empresas envolvidas (CNPJs): uma única ação pode abranger mais de uma empresa.
Na prática, isso representa uma média mensal de:
- 53 processos de recuperação judicial
- 103 empresas ingressando com pedidos
💰 Principais fatores por trás do aumento
O crescimento dos pedidos não acontece por acaso. Entre os principais fatores que pressionam as empresas, destacam-se:
- Taxas de juros elevadas, que encarecem financiamentos e dificultam a rolagem de dívidas;
- Restrição ao crédito, com instituições financeiras mais seletivas;
- Alto nível de endividamento, que já ultrapassa R$ 2,3 trilhões apenas entre empresas de capital aberto.
Esse conjunto cria um ambiente em que muitas empresas passam a ter dificuldade para manter o fluxo de caixa saudável.
🌾 Setores mais impactados
A distribuição dos pedidos de recuperação judicial por setor revela mudanças importantes na economia:
- Agropecuária: 30,1% dos casos (743 empresas)
- Serviços: 30% (739 empresas)
- Comércio: 21,7% (535 empresas)
- Indústria: 18,2% (449 empresas)
Um ponto que merece atenção é o crescimento expressivo da agropecuária ao longo dos anos. Esse setor, que antes tinha participação reduzida, hoje lidera os pedidos.
Isso ocorre porque sua atividade está sujeita a diversos riscos, como:
- variações climáticas;
- oscilações nos preços de commodities;
- custos elevados com insumos atrelados ao dólar;
- ciclos financeiros mais longos.
Esses fatores aumentam a volatilidade da receita, tornando a recuperação judicial uma alternativa para reorganizar as finanças e preservar as operações.
⚠️ Inadimplência como sinal de alerta
Outro indicador importante é a inadimplência empresarial. Em janeiro de 2026:
- 8,7 milhões de empresas estavam negativadas
- Dívida média por CNPJ: R$ 23.138,40
- Média de restrições: cerca de 7 por empresa
Esse cenário é preocupante porque, historicamente, o aumento da inadimplência costuma anteceder novos pedidos de recuperação judicial.
📉 Queda nos pedidos de falência
Apesar do aumento das recuperações judiciais, os pedidos de falência seguiram na direção oposta:
- 698 empresas solicitaram falência em 2025
- Redução de 19% em relação a 2024
- Queda expressiva de 61% desde 2012
Isso sugere que, diante das dificuldades, as empresas estão optando mais por tentar se reestruturar do que encerrar suas atividades.
🧠 O papel da contabilidade nesse cenário
Diante desse contexto desafiador, a contabilidade assume um papel ainda mais estratégico. Não se trata apenas de cumprir obrigações fiscais, mas de:
- Monitorar indicadores financeiros com precisão;
- Antecipar riscos de liquidez;
- Auxiliar na tomada de decisões;
- Estruturar planos de recuperação viáveis.
Empresas que contam com uma gestão contábil eficiente têm mais chances de identificar problemas com antecedência — e evitar que a recuperação judicial se torne a única saída.
📌 Considerações finais
O crescimento dos pedidos de recuperação judicial no país não deve ser visto apenas como um número isolado, mas como um reflexo direto das dificuldades enfrentadas pelas empresas no atual cenário econômico.
Mais do que nunca, torna-se essencial que empresários acompanhem de perto a saúde financeira de seus negócios. Problemas de caixa, endividamento elevado e dificuldade de acesso ao crédito não surgem de forma repentina — eles dão sinais ao longo do tempo.
Por isso, contar com uma contabilidade atuante e estratégica faz toda a diferença. Com análises bem estruturadas e informações confiáveis, é possível agir de forma preventiva, ajustar rotas e tomar decisões mais seguras.
Em um ambiente desafiador, a organização e o planejamento deixam de ser diferenciais e passam a ser indispensáveis para a continuidade das empresas.
