O primeiro trimestre de 2026 mostrou um cenário bastante movimentado para o empreendedorismo no Brasil. De acordo com dados da plataforma EmpresAqui, mais de 1,6 milhão de empresas foram abertas entre janeiro e março deste ano. Desse total, cerca de 1,54 milhão seguem ativas, enquanto pouco mais de 99 mil já encerraram suas atividades.
Apesar do alto índice inicial de sobrevivência das empresas, os números devem ser analisados com cautela, já que o período observado ainda é curto e muitas empresas enfrentam dificuldades nos primeiros anos de operação.
Abertura de empresas segue em ritmo forte
Os dados apontam estabilidade no volume de novos negócios ao longo do trimestre:
- Janeiro: 515 mil empresas abertas
- Fevereiro: 481 mil
- Março: 543 mil
Após uma leve queda em fevereiro, março registrou retomada no ritmo de crescimento.
Estados que mais abriram empresas
Os estados com maior número de novos CNPJs continuam sendo os principais polos econômicos do país:
- São Paulo
- Minas Gerais
- Rio de Janeiro
- Paraná
- Santa Catarina
Além das capitais, cidades menores também vêm ganhando destaque pela forte densidade de novos negócios, especialmente em Santa Catarina.
Serviços e logística lideram os novos negócios
Os setores com maior volume de abertura foram ligados à prestação de serviços, logística e atividades operacionais, como:
- Promoção de vendas
- Serviços administrativos
- Transporte e entregas
- Salões de beleza
- Construção civil
O crescimento das atividades de logística e entrega reflete o avanço do comércio digital e das novas formas de consumo.
Alta rotatividade preocupa
Os mesmos setores que lideram a abertura também apresentam índices elevados de encerramento. Atividades ligadas à logística, transporte e entregas registraram algumas das maiores taxas de fechamento no período.
Isso mostra que áreas com menor barreira de entrada costumam ter maior concorrência e instabilidade.
MEIs continuam predominando
O levantamento confirma a forte presença dos pequenos negócios no país. A maior parte das empresas abertas é formada por microempresas e MEIs, que representam aproximadamente 75% dos novos registros.
Além disso, a maioria optou pelo regime do Simples Nacional, reforçando a busca por modelos tributários mais simplificados.
Perfil do empreendedor brasileiro
A maior concentração de empreendedores está na faixa entre 31 e 50 anos, indicando que muitos brasileiros iniciam um negócio após adquirirem alguma experiência profissional.
O que os dados revelam?
O cenário mostra um empreendedorismo cada vez mais ativo e descentralizado, com crescimento puxado pela formalização e pelos pequenos negócios. Ao mesmo tempo, os números reforçam desafios importantes relacionados à sustentabilidade das empresas, principalmente nos setores com maior competitividade.
Planejamento financeiro, gestão tributária e organização contábil continuam sendo fatores essenciais para aumentar as chances de sobrevivência e crescimento das empresas nos próximos anos.
Texto adaptado a partir de matéria de Felipe Reis, do jornal O Tempo.
